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Como não usar o carro no Dia Mundial Sem Carro?

Amanhã, dia 22 de Setembro, se celebra em diversos países o “Dia Mundial Sem Carro”. E embora para algumas pessoas o desafio de deixar o carro em casa e usar outro modal pode parecer bastante difícil, nós temos algumas dicas que podem te ajudar a experimentar seu caminho de outra maneira.

Metrô e Trem: O Metrô é o sistema de transporte coletivo com IMG_20150921_153547maior aprovação
entre os paulistanos e com mais mídia, tanto que é difícil encontrar alguém que não saiba utilizar. Mas e o Trem? Bem menos conhecido, e menos falado, a rede da CPTM possui mais estações e uma rede três vezes maior que o Metrô, abrangendo alguns municípios da Região Metropolitana, e a rede de ambos é bastante interligada.

Para quem não sabe se locomover e baldear entre as redes, os sites das duas empresas (Metrô e CPTM) possuem mapas interativos, e ensinam as melhores rotas entre as estações dos sistemas. As empresas também possuem aplicativos para SmartPhones que mostram, além do caminho, a situação em tempo real das linhas. Além das empresas, o GoogleMaps também tem as redes de Metrô e de Trem mapeadas em seu site e aplicativo para celular.

Ônibus: Nos ônibus a situação é um pouco mais complexa, com mais de mil linhas de ônibus municipais gerenciadas pela SPTrans, e centenas linhas Intermunicipais da EMTU, entender o sistema dá mais trabalho do que as 11 Linhas de Metrô e Trem.

Vários sites e aplicativos nos ajudam nesta tarefa:

O ‘Cruzalinhas’ é um site bastante simples, que ajuda a iniciar a sua busca pela linha que
irá te ajudar mais. Com apenas um clique no mapa você vê todas as linhas da SPTrans que passam perto de você e com isso identifica para onde as linhas da sua região te levam. Infelizmente o sistema não conta com aplicativo de celular.

IMG_20150921_153636O ‘Cadê o ônibus’ (app) já foi eleito algumas vezes o melhor aplicativo de celular para se encontrar linhas e pontos de ônibus de São Paulo, permitindo rastrear os ônibus da rede municipal via GPS, além de encontrar informações das linhas que param em cada ponto da cidade, escolher linhas favoritas e ver como está o trânsito no percurso da sua Linha.

Já o ‘Coletivo’ (app) é um aplicativo feito para ser mais rápido. Ele compila as informações do ponto de ônibus que você escolher, mostrando em tempo real quais ônibus estão chegando até você. Além disso, o app também mostra informações do trânsito na linha que você escolher.

O ‘Moovit’, (app) famoso aplicativo internacional, soma funcionalidades dos dois
aplicativos citados acima, com algumas diferenças: é possível ver a localização dos ônibus que estão chegando ao ponto, escolher linhas favoritas, e também IMG_20150921_153557traçar rotas e deixar o aplicativo te indicar o caminho. Outros diferenciais deste aplicativo são: ser colaborativo e mostrar os ônibus da EMTU também.

Por último, o GoogleMaps também faz indicações e sugestões de opções de caminhos para você escolher baseado na frequência dos ônibus informadas pela SPTrans e pela EMTU.

Usando bem os aplicativos e sites à disposição, escolhendo o seu preferido, ou o que se adequa melhor à sua necessidade, fica bastante fácil identificar a linha mais rápida para você usar em seu caminho cotidiano.  

Bicicleta: Se você quiser testar a bicicleta para o seu deslocamento, a lógica é bastante diferente e você deverá montar o seu caminho de forma diferente dos transportes coletivos. Identificar o melhor caminho  pode levar tempo, encontrar o caminho mais plano, mais calmo, mais fácil e rápido depende muito do seu conhecimento do local, mas também há sites e aplicativos que podem te ajudar com isso.

Conversar com pessoas que fazem esse caminho frequentemente pode ajudar, para isso indicamos as páginas do facebook das regiões de São Paulo, com vizinhos sempre dispostos a ajudar os novatos nos melhores caminhos – Zonas: Norte, Leste, Sul, Oeste e o geral de São Paulo – Bicicletada.

IMG_20150921_154130Além deles, o Google e o ‘Strava’ (app) também indicam caminhos baseados na declividade do terreno, e ainda o ‘Strava’ leva em conta caminhos frequentemente utilizados por outros usuários do aplicativo.

E para quem não tem bicicleta, saiba que isso não é mais desculpa! Com as bicicletas alugadas e compartilhadas fornecidas na capital pelo Itaú –BikeSampa– e pelo Bradesco –CicloSampa– você pode usar a magrela emprestada e de graça. Para ambos os sistemas é preciso se inscrever e cadastrar um cartão de crédito no site, mas após essa burocracia cumprida, pegar a bike é bastante simples e também é feito usando aplicativos de celular, Bilhete Único ou os seus cartões.

O ponto negativo deste sistema ainda é a cobertura, pois as estações ainda se concentram na Zona Oeste de São Paulo, com alguns pontos no Centro, na Zona Leste e na Sul.

A pé: Sempre esquecido, porém o mais fácil, barato e simples modal de se utilizar. É o modal mais utilizado em quase todas as grandes cidades, mas é tão simples que quase é esquecido por quem está acostumado a utilizar o carro e mora perto do trabalho ou outros destinos (também é esquecido pelas autoridades, mas isso é um outro assunto). Também depende muito do conhecimento local, distância (uns 2,5 km dá pra fazer com facilidade em meia hora) e declividade, as vezes utilizar as rotas indicadas pelos aplicativos de bicicleta ajuda bastante, no mais, basta amarrar seus tênis e sair.

E aí, qual modal você vai testar no Dia Mundial Sem Carro?

“BLOG PONTO DE ÔNIBUS: FAIXAS DE ÔNIBUS E A VOZ DA MINORIA”

Publicado originalmente em: Blog do Ponto de Ônibus, em 07/04/2014, por Ádamo Bazani

Grupos protestam contra espaços exclusivos para o transporte coletivo e vão na contramão do que se espera no espaço urbano das cidades

Em junho de 2013, o Brasil assistiu uma série de manifestações populares contra os valores das tarifas de transporte público e pela melhoria nos serviços de mobilidade.
Esses objetivos só podem ser alcançados caso os transportes coletivos ganhem eficiência operacional, ou seja, velocidade comercial e readequação das linhas para a realidade da cada região.
Para que tal eficiência e velocidade venham se tornar uma realidade, o transporte coletivo deve ter prioridade no espaço urbano.
E, na época, muitos manifestantes tiveram consciência destes fatos e começaram a defender a prioridade ao transporte coletivo, assunto que ganhou mais força com os atos do ano passado.
Mas o discurso em prol da mobilidade urbana, muito bonito por sinal, parece que só vale até as mudanças no viário para esta melhoria baterem à porta de casa e, principalmente, do estabelecimento comercial.
Agora, as manifestações em São Paulo mudaram radicalmente de cara e são contra as faixas e corredores para ônibus.
Já foi mais que provado que o transporte público é uma maneira inteligente de usar o espaço na cidade. Um ônibus comum ocupa o lugar de quatro carros, mas transporta o equivalente ao que 80 veículos de passeio transportariam.
Todos sabem disso e não precisa ser nenhum especialista em mobilidade para saber que o ônibus economiza espaço e polui bem menos que a grande quantidade de carros.
Mas falta pensamento coletivo.
Não adianta a sociedade pedir transporte coletivo de qualidade e ao mesmo tempo, parte dela impedir que isso seja oferecido à população.
Nesta e na semana passada, a zona Sul e a região central de São Paulo têm sido palcos de protestos, uma minoria barulhenta, que reclama das faixas de ônibus em regiões como da Avenida Lins de Vasconcelos e da Avenida Lacerda Franco.
São comerciantes que dizem que as faixas de ônibus prejudicaram seus negócios já que dificultam o estacionamento dos carros de seus clientes nas ruas.
Claro que estes comerciantes devem ser ouvidos e a prefeitura buscar soluções que não os prejudique sem, no entanto, afetar a maioria que são os passageiros de ônibus.
Mas vale ressaltar que em diversas cidades do mundo, independentemente de faixas e corredores de ônibus, a restrição ao estacionamento nas vias públicas é uma alternativa de mobilidade.
Além disso, não parece que uma faixa que opera só nos horários de pico, das 6h às 9h e das 16h às 20h, os intervalos de operação mais comuns em São Paulo, possam atrapalhar estabelecimentos comerciais que funcionam, em sua maioria, das 9h às 18h.
A verdade é que a população está acostumada ao comodismo e há muita individualismo ainda na cultura do cidadão. Ele defende o bem estar da maioria, mas só se ele for parte desta maioria.
A faixa para ônibus é sim uma solução, não a única, é claro, para que os transportes públicos em São Paulo e na região metropolitana melhorem.
Por isso, este debate não se restringe apenas à cidade de São Paulo. Cidades médias também registram queixas de comerciantes contra as faixas e restrição de estacionamento. Exemplo é a Rua Carijós, em Santo André, no ABC Paulista, importante corredor de linhas municipais e intermunicipais de ônibus.
O engenheiro e especialista em mobilidade urbana Horácio Augusto Figueira, professor da USP – Universidade de São Paulo, prova em números que uma faixa de ônibus beneficia uma população maior que todos os carros que circulam pelas outras faixas na mesma via.
Ele tomou como base vias como Avenida Paulista, Avenida Rebouças e Avenida Brigadeiro Faria Lima.
Nestas vias, por hora passam aproximadamente 700 carros de passeio. Como em média na cidade de São Paulo um carro leva 1,4 pessoa, em cada faixa, passariam por hora 980 pessoas. Como estas avenidas têm três faixas, por hora passam nelas 2 mil 940 pessoas.
Já um ônibus, em média na cidade de São Paulo, leva 50 pessoas (considerando os momentos da viagem que ele está mais vazio e os momentos que atua com lotação máxima).
Por hora, circulam em avenidas deste porte 80 ônibus, atendendo em uma única faixa 4 mil pessoas, número superior às 2 mil 940 pessoas nos carros em três faixas.
O professor ainda mostra que retirando uma faixa para o carro, a utilidade da via se torna maior.
Numa conta direta, se em vez de três faixas, os carros contassem com duas, na mesma hora, a mesma quantidade de veículos de passeio transportaria 2 mil 240 pessoas. Se uma faixa continuasse a ser dedicada para os ônibus, somando as faixas para os carros e a destinada ao transporte coletivo, passariam por esta via, 6 mil 240 pessoas. Isso significa mais que o dobro das 2 mil 940 se as três faixas fossem só para os carros.
Comerciantes também se queixam das desapropriações que podem ser geradas pelos corredores de ônibus que atendem mais pessoas ainda. Dependendo do corredor, podem ser beneficiados de maneira direta de 10 mil a 40 mil passageiros hora/sentido.
Estes comerciantes devem ser respeitados e suas reivindicações não podem ser ignoradas.
Readequações nos projetos de corredores e em algumas faixas podem ser sim consideradas.
Mas o poder público não pode, por medo de prejudicar sua imagem em redutos eleitorais, deixar de avançar nas políticas de mobilidade urbana.
Em junho de 2013, ouvimos a voz das ruas que pediam transporte melhores. Em abril de 2014, o que grita mais alto é a voz da minoria.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.