Arquivo da categoria: Ônibus

Como descobrir que linha de ônibus pegar?

Para transportar cerca de 8 milhões de passageiros por dia São Paulo possui cerca de 1.400 linhas de ônibus, então as vezes descobri qual linha pegar pode ser bastante difícil, ainda mais para quem não está familiarizado com o sistema de ônibus.

Para resolver este desafio apresentamos aqui uma lista de sites e aplicativos que te ajudarão a encontrar a linha que você precisa e ainda ver quando o ônibus irá chegar!

Para descobrir qual linha pegar, o lugar mais óbvio para se procurar é o próprio site da SPTrans que possui um buscador de rotas de ônibus bom, com alguns filtros interessantes como horário, distância de caminhada e até linhas acessíveis. É possível se procurar por origem e destino, pontos de interesse ou por linhas de ônibus específicas. No site você ainda pode ver horários de saída dos ônibus e mapas das linhas e do percuIMG_20150921_153547rso proposto, além de link para o serviço OlhoVivo que iremos falar adiante.

Com um serviço bem parecido com a SPTrans, mas com software melhor, no GoogleMaps (app) também é possível se indicar o destino que você quer chegar, com a vantagem de se encontrar diferentes opções de caminho para se fazer. Isso é muito bom, pois as vezes o primeiro caminho sugerido pode não ser o melhor. Além de mostrar o caminho, também é possível se clicar nos pontos de ônibus do mapa e ver as linhas que passam por ali. Ainda o Google conta com dados da EMTU para ônibus metropolitanos, e com dados de linhas intermunicipais o que é bastante interessante, além é claro, de aplicativos para smartphones.

Similar ao GoogleMaps, o aplicativo Cittymapper (app) também te dá várias opções, tem uma interface bem aCitryMappermigável, deixa  você avisar seus colegas que está chegando, além de rastrear os Ônibus e ter uma integração bem legal com  bicicletas alugáveis e táxi. Outro ponto interessante é que o aplicativo aceita que você planeje a rota no computador e envie para o seu celular!

O site ‘Cruzalinhas’ é bem menos conhecido, mas é bastante útil na procura de caminhos e linhas alternativas. O funcionamento do site é bem simples: você clica em um ponto e ele te mostra todas as linhas da SPTrans que passam na proximidade daquele ponto, ou você clica em dois pontos – por exemplo: origem e destino – e ele te mostrará todas as linhas que passam próximo aos 2 pontos. Talvez não haja uma linha ligando dois pontos específicos, mas você irá conseguir ver no mapa quais caminhos e corredores próximos de onde você quer ir tem mais linhas, ou seja, onde será mais fácil trocar de ônibus no seu caminho.

Depois de descobrir as linhas que você tem que pegar, há aplicativos que te ajudam a rastrear o seu ônibus e saber que horas ele passará no ponto!

O aplicativo ‘Cadê o ônibus’ (app) já foi eleito algumas vezes o melhor aplicativo de celular para se encontrar linhas e pontos de ônibus de São Paulo. O aplicativo lançou recentemente a funcionalidade de encontrar percursos, mas ele é conhecido por permitir rastrear os ônibus da rede municipal via GPS, você marca a sua linha, e ele mostra uma mapa da IMG_20150921_153636
linhas mostrando os ônibus que estão circulando. Além disso também é possível ver informações das linhas que param em cada ponto, escolher linhas favoritas e ver como está o trânsito no percurso da sua Linha.

Já o ‘Coletivo’ (app) é um aplicativo feito para ser mais rápido. Ele compila as informações do ponto de ônibus que você escolher, e mostra em tempo real quais ônibus estão chegando até você. Além disso, o app também mostra informações do trânsito na linha que você escolher.

O ‘Moovit’, (app) famoso aplicativo internacional, soma funcionalidades dos dois
aplicativos citados acima, com algumas diferenças: escolher linhas favoritas, pontos variados favoritos, e também traçar rotas e ver o caminho. Além de também ter dados da EMTU, o aplicativo é colaborativo, você pode informar ônibus que passaram sem o aplicativo identificar (provavelmente por estarem com o GPS desligado) e também pedir para o aplicativo te avisar o ponto que você vai descer e com isso você informa automaticamente outros usuários da posição do seu ônibus.

Falando em EMTU (app), a empresa metropolitana também lançou um aplicativo onde é possível se encontrar linhas e percursos para navegar entre as cidades da região Metropolitana de São Paulo. A SPTrans não tem aplicativo específico, mas tem o site “OlhoVivo” onde você pode também ver onde estão os ônibus na linha que você quer.
Por último, o CittaMaps (app) é outro aplicativo interessante, que conta com funcionalidades bem similares ao do Moovit e Coletivo, porém com um foco muito bom e adequado para ônibus com acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, além de aplicativo especial para deficientes visuais.

Com todos estes aplicativos e sites à disposição, escolhendo o seu preferido, ou o que se adéqua melhor à sua necessidade, fica bastante fácil identificar a linha mais rápida para você usar em seu caminho cotidiano.

E você? Gosta de algum deles? Conhece algum outro? Comente ou compartilhe com seus amigos para mais pessoas descobrirem estas alternativas!

Como não usar o carro no Dia Mundial Sem Carro?

Amanhã, dia 22 de Setembro, se celebra em diversos países o “Dia Mundial Sem Carro”. E embora para algumas pessoas o desafio de deixar o carro em casa e usar outro modal pode parecer bastante difícil, nós temos algumas dicas que podem te ajudar a experimentar seu caminho de outra maneira.

Metrô e Trem: O Metrô é o sistema de transporte coletivo com IMG_20150921_153547maior aprovação
entre os paulistanos e com mais mídia, tanto que é difícil encontrar alguém que não saiba utilizar. Mas e o Trem? Bem menos conhecido, e menos falado, a rede da CPTM possui mais estações e uma rede três vezes maior que o Metrô, abrangendo alguns municípios da Região Metropolitana, e a rede de ambos é bastante interligada.

Para quem não sabe se locomover e baldear entre as redes, os sites das duas empresas (Metrô e CPTM) possuem mapas interativos, e ensinam as melhores rotas entre as estações dos sistemas. As empresas também possuem aplicativos para SmartPhones que mostram, além do caminho, a situação em tempo real das linhas. Além das empresas, o GoogleMaps também tem as redes de Metrô e de Trem mapeadas em seu site e aplicativo para celular.

Ônibus: Nos ônibus a situação é um pouco mais complexa, com mais de mil linhas de ônibus municipais gerenciadas pela SPTrans, e centenas linhas Intermunicipais da EMTU, entender o sistema dá mais trabalho do que as 11 Linhas de Metrô e Trem.

Vários sites e aplicativos nos ajudam nesta tarefa:

O ‘Cruzalinhas’ é um site bastante simples, que ajuda a iniciar a sua busca pela linha que
irá te ajudar mais. Com apenas um clique no mapa você vê todas as linhas da SPTrans que passam perto de você e com isso identifica para onde as linhas da sua região te levam. Infelizmente o sistema não conta com aplicativo de celular.

IMG_20150921_153636O ‘Cadê o ônibus’ (app) já foi eleito algumas vezes o melhor aplicativo de celular para se encontrar linhas e pontos de ônibus de São Paulo, permitindo rastrear os ônibus da rede municipal via GPS, além de encontrar informações das linhas que param em cada ponto da cidade, escolher linhas favoritas e ver como está o trânsito no percurso da sua Linha.

Já o ‘Coletivo’ (app) é um aplicativo feito para ser mais rápido. Ele compila as informações do ponto de ônibus que você escolher, mostrando em tempo real quais ônibus estão chegando até você. Além disso, o app também mostra informações do trânsito na linha que você escolher.

O ‘Moovit’, (app) famoso aplicativo internacional, soma funcionalidades dos dois
aplicativos citados acima, com algumas diferenças: é possível ver a localização dos ônibus que estão chegando ao ponto, escolher linhas favoritas, e também IMG_20150921_153557traçar rotas e deixar o aplicativo te indicar o caminho. Outros diferenciais deste aplicativo são: ser colaborativo e mostrar os ônibus da EMTU também.

Por último, o GoogleMaps também faz indicações e sugestões de opções de caminhos para você escolher baseado na frequência dos ônibus informadas pela SPTrans e pela EMTU.

Usando bem os aplicativos e sites à disposição, escolhendo o seu preferido, ou o que se adequa melhor à sua necessidade, fica bastante fácil identificar a linha mais rápida para você usar em seu caminho cotidiano.  

Bicicleta: Se você quiser testar a bicicleta para o seu deslocamento, a lógica é bastante diferente e você deverá montar o seu caminho de forma diferente dos transportes coletivos. Identificar o melhor caminho  pode levar tempo, encontrar o caminho mais plano, mais calmo, mais fácil e rápido depende muito do seu conhecimento do local, mas também há sites e aplicativos que podem te ajudar com isso.

Conversar com pessoas que fazem esse caminho frequentemente pode ajudar, para isso indicamos as páginas do facebook das regiões de São Paulo, com vizinhos sempre dispostos a ajudar os novatos nos melhores caminhos – Zonas: Norte, Leste, Sul, Oeste e o geral de São Paulo – Bicicletada.

IMG_20150921_154130Além deles, o Google e o ‘Strava’ (app) também indicam caminhos baseados na declividade do terreno, e ainda o ‘Strava’ leva em conta caminhos frequentemente utilizados por outros usuários do aplicativo.

E para quem não tem bicicleta, saiba que isso não é mais desculpa! Com as bicicletas alugadas e compartilhadas fornecidas na capital pelo Itaú –BikeSampa– e pelo Bradesco –CicloSampa– você pode usar a magrela emprestada e de graça. Para ambos os sistemas é preciso se inscrever e cadastrar um cartão de crédito no site, mas após essa burocracia cumprida, pegar a bike é bastante simples e também é feito usando aplicativos de celular, Bilhete Único ou os seus cartões.

O ponto negativo deste sistema ainda é a cobertura, pois as estações ainda se concentram na Zona Oeste de São Paulo, com alguns pontos no Centro, na Zona Leste e na Sul.

A pé: Sempre esquecido, porém o mais fácil, barato e simples modal de se utilizar. É o modal mais utilizado em quase todas as grandes cidades, mas é tão simples que quase é esquecido por quem está acostumado a utilizar o carro e mora perto do trabalho ou outros destinos (também é esquecido pelas autoridades, mas isso é um outro assunto). Também depende muito do conhecimento local, distância (uns 2,5 km dá pra fazer com facilidade em meia hora) e declividade, as vezes utilizar as rotas indicadas pelos aplicativos de bicicleta ajuda bastante, no mais, basta amarrar seus tênis e sair.

E aí, qual modal você vai testar no Dia Mundial Sem Carro?

Por que a faixa exclusiva de ônibus da Raposo Tavares é tão importante?

Embora a prefeitura continue implantando eventualmente novas faixas exclusivas de ônibus, os resultados positivos continuem aparecendo, e o assunto já não esteja mais nas manchetes como ocorreu em 2013, há um grupo de usuários de Ônibus chamado “Faixanaraposo” fazendo – com razão – pressão e protestos para que uma faixa seja implantada na Rodovia Raposo Tavares, na zona oeste de São Paulo.
Então, se o programa continua, e vai bem, por que esta briga pela implantação da faixa exclusiva de ônibus na Rodovia Raposo Tavares se faz tão importante?

Existem dois motivos principais para isso, primeiro, embora a prefeitura já tenha se convencido das vantagens das faixas exclusivas, no governo estadual a discussão ainda está bastante atrasada, e é o governo estadual quem legisla sobre as rodovias estaduais. Além disso, já faz alguns anos que as rodovias que servem São Paulo, e outras grandes cidades brasileiras, funcionam como “avenidas” da cidade, ligando o seu centro, aos municípios vizinhos e apresentando o mesmo comportamento de trânsito e de mobilidade que as avenidas destas cidades.

É bem conhecido o intenso transito diário que vivem os moradores das cidades vizinhas a São Paulo que vem à capital para trabalhar. Esta migração diária representa 20% das 18 milhões de viagens motorizadas que passam pelas vias paulistanas todos os dias, e elas não se limitam à grande São Paulo. Cidades mais afastadas como São Roque, São José dos Campos e Jundiaí também apresentam um funcionamento conhecido como “Cidades Dormitórios”, ou seja, há pessoas que moram nessas cidades, e que “viajam” todo dia à capital para trabalhar.

Estes 3,5 milhões de viajantes diários da região metropolitana se dividem em ônibus da EMTU, ônibus fretados, ônibus intermunicipais e carros particulares, e se somam a outros milhões não contabilizados pela pesquisa do Metrô que vem de fora da Região Metropolitana como os exemplos acima. E estes deslocamentos apresentam a mesma lógica que ocorre nas avenidas paulistanas, e em todas as outras grandes cidades do mundo: os carros utilizam mais espaço e carregam menos passageiros. Além disso, os viajantes que vem de carro à cidade de São Paulo são desestimulados a optar pelo transporte coletivo, tanto nas rodovias, pela falta de prioridade, quanto dentro da cidade, pela falta de integração entre os modais coletivos e o carro.

Por esses motivos, é fundamental que se inicie um programa para se dar prioridade ao transporte coletivo nas rodovias que ligam estas cidades à capital paulista, e nós esperamos que o caso da Raposo Tavares seja o primeiro passo desta mudança de mentalidade.

A Raposo tem se tornado exemplar deste caso devido ao grande adensamento urbano que ela sofreu em suas margens, fosse a Raposo uma avenida da cidade, ela já teria recebido uma faixa exclusiva para dar agilidade às suas mais de 25 linhas municipais e metropolitanas, além das linhas de fretados e intermunicipais. A ocupação mais afastada do centro se intensificou na região na década de 1970 com empreendimentos como a Grana Viana, e continua se intensificando com diversos lançamentos imobiliários enormes ao logo da via.

Outra Rodovia que tem as mesmas características dentro da área urbana de São Paulo, é a Via Anchieta, e esta já recebeu uma faixa exclusiva, pois possui um trecho que é de jurisdição da prefeitura, em seus primeiros 1500 metros.

Entenda melhor como funcionam as faixas de ônibus neste FAQ.

O grupo de usuários vem se mobilizando há alguns meses para conseguir uma mudança de postura da gestão estadual quando à prioridade aos meios de transportes coletivos na via, porém, esta briga demandará bastante pressão popular e política pois é uma mudança de paradigma e de mentalidade bastante difícil, vide a quantidade de críticas que as implementações em São Paulo receberam em 2013.

Por fim, nesta terça-feira, dia 14, teremos uma audiência na Assembléia Legislativa de São Paulo, para discutir a faixa de ônibus da Rodovia Raposo Tavares, e precisaremos de muito apoio, para fazer essa discussão, e começar a adaptar nossas rodovias para receber melhor modais mais eficientes tanto públicos, como os ônibus da SPTrans e EMTU, quanto privados, como fretados e ônibus intermunicipais.

E que a Raposo seja a primeira de muitas Rodovias a receber estas melhorias.

Linha criada com participação de usuários dobra o número de passageiros

Não são muitas as políticas públicas que têm um impacto tão claro e direto na vida de quem depende delas como o serviço de transporte público e de mobilidade de uma cidade. O serviço de ônibus é um exemplo disso, tanto em suas estruturas físicas como em sua operação. Somando-se a isso, a grande dependência que parte da população tem deste serviço e o apego emocional que as pessoas têm com as linhas e estações que as servem -além da enorme extensão e complexidade do serviço -fazem com que a participação popular seja fundamental no desenho e implantação do serviço de ônibus de uma cidade. Um bom exemplo deste processo ocorreu recentemente na região do Butantã, Alto de Pinheiros, Vila Madalena e Barra Funda, com a criação da linha 809U-10 – Cidade Universitária – Metrô Barra Funda“. O trajeto atual da linha surgiu a partir de sugestões de um grupo de moradores. Após algumas modificações de linhas, que deixaram a região sem algumas conexões importantes, o grupo se juntou, analisou a situação e fez propostas que foram sendo respondidas pela SPTrans até se chegar no trajeto atual, que tem se mostrado muito bem sucedido. O andamento da discussão foi divulgado no blog da região. Aqui e aqui. Veja o mapa final da Linha 809U-10 no OlhoVivo da SPTrans e aqui: 809U_Mapa O problema se iniciou em setembro de 2013, quando a linha “7725-10 – Rio Pequeno – Metrô Vila Madalena” foi unificada com a linha “7702-10 – USP – Term. Lapa“, deixando o “miolo” do Alto de Pinheiros e a Vila Jataí sem nenhuma linha que os conectasse com o Metrô Vila Madalena e do Butantã. Em outras palavras, toda a região entre a Rua Dr. Alberto Seabra e a Rua Purpurina ficou com apenas uma linha, a linha 828P-10. Com os problemas gerados pela falta de licitação e dificuldades da SPTrans em criar linhas novas surgiu a sugestão de se alterar uma das linhas da região. Com isso, após se pensar em mudanças em alguma das linhas que circulam pela Rua Heitor Penteado, chegou-se a ideia de se modificar e melhorar a própria linha 828P.

A linha 828P

A linha 828P-10 – Lapa – Metrô Barra Funda foi escolhida por diversos motivos, como demonstrado nos textos do grupo. Com esta análise do trajeto da linha e de outras linhas da região, junto com o levantamento do número de passageiros na linha, o grupo concluiu que o trecho final, que seguia para a Lapa, era o menos utilizado e poderia ser modificado sem prejuízo aos usuários – que possuem outras linhas alternativas para ir à Lapa. Assim foi proposto o trajeto similar ao da atual linha 809U, ligando o Metrô Barra Funda, ao Metrô Vila Madalena, cruzando toda a região do Alto de Pinheiros, e também a estação Cidade Universitária da CPTM, e a Cidade Universitária. Após reuniões e discussões com a SPTrans, a nova linha foi implantada em setembro de 2014 e já apresentou logo no segundo mês uma utilização mais alta que a linha anterior.

A linha 809U

Nos meses anteriores à mudança, a linha 828P vinha apresentando uma utilização média de 70 mil passageiros por mês. Já a nova linha 809U a partir do seu segundo mês de operação apresentou um salto para 87 mil usuários. Apenas quatro meses mais tarde, após o período de férias escolares, a importância e a eficácia da nova linha se demonstraram claramente, quando em fevereiro a nova linha atingiu a marca de 190 mil usuários mensais, mais que o dobro do número de usuários da linha anterior. 809U_Grafico Outro fato que evidenciou a importância desta linha foi a criação de uma variante desta linha chamada “809U-41 – Metrô Barra Funda – Metrô Vila Madalena”, criada em Fevereiro e que funciona também aos feriados e fins de semana. É muito importante apoiar e incentivar a participação popular na melhoria da mobilidade urbana e em ações como esta. Estas ações são fundamentais para articular cidadãos em prol de uma cidade com mais mobilidade, mais aberta e mais humana, além de aproximar e integrar os usuários ao sistema de transporte coletivo, incentivando a diminuição do uso do carro. Vocês conhecem alguma iniciativa como esta no seu bairro ou na sua cidade? Conte para nós.

Respostas a argumentos contrários às Faixas Exclusivas de ônibus

Como primeiro assunto para tratar nesse blog escolhi um assunto que há tempos está em pauta na sociedade e ainda está suscitando discussões: as faixas exclusivas de ônibus criadas em São Paulo desde 2013.

De lá pra cá alguns editoriais e reportagens de jornais e revistas fizeram críticas, em geral muito fracas, mas, eu vou me focar nas perguntas e reclamações mais comuns que eu tenho ouvido em conversas informais, em geral bastante simples ou curiosas , como:

“Mas, eu ando bastante de carro por São Paulo e o trânsito não melhorou!”

Bom, se você anda de carro, por opção ou falta dela, o trânsito não vai melhorar para você (a curto prazo)! O objetivo de um projeto de implementação de faixas exclusivas de ônibus não é esse.

O objetivo é dar prioridade e  aumentar a velocidade dos ônibus.  A rede de transporte coletivo transporta mais passageiros que os carros na cidade, e precisa funcionar. A ineficiência dos automóveis particulares não deve atrapalhar o transporte coletivo. Não é produtivo uma cidade dar prioridade ao transporte particular, e temos diversos exemplos disso no mundo.

Mas, sempre após afirmar que o objetivo é dar velocidade ao ônibus se ouve:

” Mas só isso?”

Aumentar a velocidade dos ônibus não é “só isso”, é bastante importante. O Tempo de Viagem depende diretamente de velocidade do ônibus, e portanto é um dos elementos principais da qualidade do sistema de transporte coletivo.

Mas é claro que isso não significa que todos os problemas foram resolvidos, ou que agora o transporte em São Paulo é excelente. Há problemas de lotação, de falta de cobertura do sistema,  de frequência de ônibus, entre outros. Com isso,  a implantação das faixas foi apenas um passo, e o que a torna mais importante é que ela foi uma das poucas melhoras sensíveis em toda história do transporte coletivo em São Paulo – Aliás, é isso que a torna tão emblemática e alvo de tantos ataques e tantas defesas.

Outra frase comum é: “Só gastou tinta, só pintou uma faixa no chão, e nada mais”.

O curioso desta crítica é que ela é um elogio! Que bom que com um investimento baixo, a prefeitura conseguiu aumentar em 46% a velocidade dos ônibus e diminuir em 38 minutos em média o tempo de viagem dos usuários. Isso se chama bom investimento. Quem dera houvesse para a habitação ou o analfabetismo uma forma de conseguir um avanço tão grande e tão barato.

“Mas houve falta de planejamento, vias muito estreitas receberam faixas, ou alguns cruzamentos problemáticos”.

Sim, houve falta de planejamento, mas foi na construção e ocupação desta tal via e da rede viária de quase toda a cidade. Os problemas estruturais e viários da cidade são muitos, e não foram gerados pelas faixas de ônibus. O que ela faz é apenas separar uma faixa de determinada via para um modal com maior capacidade. Sim, deve haver vários problemas pontuais, semafóricos, de cruzamentos, mas estes não invalidam o programa.

“Ah, mas isso é eleitoreiro, a solução é BRT e/ou Metrô”.

Não, a solução não é só BRT, nem Metrô e nem as faixas. Nenhuma delas é a solução sozinha. A cidade precisa ser reestruturada (sobre isso há uma vasta discussão que pode ser iniciada aqui), precisa ter Metrô e BRT onde houver demanda, precisa ter VLT onde houver demanda, corredor à direita onde houver demanda, e faixa exclusivas onde houver esta demanda. Com várias vias de diferentes capacidades se faz uma rede, e com vários modais se faz um sistema.

“Mas essa é só sua opinião, porque você gosta de ônibus”.

Não se trata de opinião ou gostar de ônibus, se trata de que o órgão público que quiser organizar a cidade tem que estruturar a rede para transportar mais pessoas dentro da cidade.

A capacidade de pessoas sentadas num ônibus é de pelo menos 35 pessoas, num ônibus biarticulado chega a 120 pessoas (sim, isso imaginando que todo mundo está sentado no ônibus, a taxa de ocupação tende a ser bem mais alta no horário de pico), enquanto a ocupação média de um carro é de 1,4 pessoas em São Paulo. Ou seja, um ônibus de 20 metros carrega pelo menos 14 vezes mais pessoas que 4 ou 5 carros ocupando os mesmos 20 metros! A forma como a cidade é estruturada exige a movimentação de tamanho número de pessoas no horário de pico que carros particulares trafegando nas ruas e avenidas não comportam, e além disso, já sabemos também que aumentar e alargar avenidas não resolve o problema – leia sobre isso aqui.

Por fim, mudar de transporte particular para o coletivo realmente é complexo, trabalhoso, e o transporte coletivo não está nem perto do ideal ainda. Para tal mudança ocorrer a sociedade paulistana precisa passar por uma mudança cultural grande e isso não ocorre da noite pro dia, nem em alguns meses (diferente do que algumas revistas pensam, mas isso fica para uma outra vez). Mas, eu tenho certeza que se algumas pessoas, principalmente as que moram e trabalham dentro do centro expandido, tentassem fazer essa mudança iriam se surpreender.

Quem começar a usar transporte coletivo e não sabe como? Leia sobre isso aqui.

É importante entender que as faixas foram um passo, de uma mudança gradual que deve ocorrer, levada a cabo por governos, mas impulsionada pela população, como também deve ocorrer na esfera estadual em exemplos como a Rodovia Raposo Tavares (leia sobre aqui). A pressão política da população por medidas públicas de mobilidade ainda é fraca, mas sem dúvida esse passo tomado com a implantação das faixas foi uma resposta rápida do poder público às grandes manifestações de Junho de 2013! Sem as manifestações as faixas não seriam realidade, e por isso precisamos de mais pressões como esta para que as melhorias do transporte coletivo continuem e aumentem, e a longo prazo ajudem a diminuir o descomunal trânsito de São Paulo!