É possível se acabar com o Rodízio?

Depois da discussão gerada pela confusão que houve na Câmara Municipal de São Paulo na semana passada, infelizmente não se estabeleceu uma discussão sobre o instrumento do Rodízio Municipal de Veículos.

Instituída em Outubro de 1997 a Operação Horário de Pico, como era seu nome à época, tinha como objetivo direto a melhoria da fluidez e das condições do trânsito apenas no horário de pico em São Paulo. Claro que o trânsito é ruim em todos os horários, mas o enorme congestionamento no horário de pico é o maior e mais grave exemplo deste problema.

O Boletim nº37 da CET (Boletins Técnicos da CET) que analisou os impactos da medida durante seus dois primeiros anos encontrou os resultados já esperados. Além da redução do trânsito no horário de pico, que alcançou 37% no período da manhã e 26% no período da tarde, o rodízio aumentou: o tráfego de veículos nos outros horários, o uso de transporte coletivo, a compra de um segundo carro por pessoa e o número de caronas.

Além disso, como em todo projeto de transportes se sabia que os impactos positivos teriam um limite temporal, e este prazo era estimado em 4 anos. Com o tempo a frota naturalmente aumentaria (mesmo sem contar os “segundo-carros”), a ponto de anular a melhoria conseguida. Portanto além da ação negativa, de restringir o tráfego de veículos, era necessária uma ação afirmativa, ou seja, disponibilizar alternativas para que os usuários deixassem de utilizar o carro, o que não ocorreu.

Como não foram implementadas estas alternativas, o Projeto de Lei 15 de 2006 causou polêmica na semana passada ao tentar extinguir o rodízio. Porém, ao contrário do que diz a justificativa do projeto de lei, o rodízio não é “inócuo”, mas sim insuficiente.

As respostas de 38% das pessoas que passaram a utilizar ônibus, 26% metrô, e 6% que passaram a se locomover a pé, mostram que as medidas restritivas realmente forçam as pessoas a migrarem para outros modais, quando estes existem. Mas por outro lado, 27% das pessoas mudaram o horário do compromisso e 25% passaram a utilizar outro carro, mostrando que sem a disponibilidade de outro modal a restrição se torna insuficiente.

Com isso nota-se que a combinação entre as medidas de restrição e o oferecimento de alternativas de transporte devem ser implementadas juntas, para se chegar a uma rede com a maior capacidade de transporte e utilizá-la da melhor maneira possível, abandonando o uso excessivo do carro.

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Uma consideração sobre “É possível se acabar com o Rodízio?”

  1. É uma ótima chance para fazer uma discussão séria do Pedágio Urbano Inteligente (PUI), única alternativa que funciona de fato, cirurgicamente (pois só é aplicado nas vias onde e quando estiverem congestionadas). É uma medida democrática (pois transfere os recursos do transporte individual para o transporte público, coisa que o Rodízio nunca fez e nunca fará), é justa (pois onera mais os veículos que ocupam mais espaço na via e que emitem mais poluentes tóxicos e globais, causadores do efeito estufa); é sensata (pois em caso de necessidade de uso do veículo em um dado momento, não aplica multas de valor alto nem tira pontos da carteira), enfim, é de longe, a mais inteligente das medidas para restringir o uso desnecessário e abusivo do transporte individual, e para financiar a melhoria do transporte público. É inconcebível, que numa cidade complexa e carente de recursos para o Transporte Público como São Paulo, o Governo insista com uma medida tão primitiva, inflexível, já esgotada e que não reverte um tostão sequer para o coletivo.O Pedágio Urbano Inteligente (PUI), no lugar do Rodízio burro de queixo duro (que engolimos calados, apesar da ignorância dessa medida, sem avaliar profundamente as alternativas mais inteligentes e úteis) pode ser implementado com tarifas progressivas sem causar impactos econômicos muito relevantes nos usuários de determinados corredores, se e quando esses estiverem congestionados. Quem usa automóvel tem que fazer a escolha, usando o que mais de precioso Deus lhe deu: a inteligência. Se quiser trafegar com mais fluidez com sua enorme e pesada carroça individual, ocupando muuuuito mais espaço viário PÚBLICO do que a maioria absoluta da população que usa o transporte PÚBLICO que fica preso no congestionamento predominantemente formado por automóveis de uso INDIVIDUAL PARTICULAR. O Transporte Público ocupa muuuuito menos espaço viário público e polui muuuuuuito menos do que os automóveis particulares, se considerada a emissão por passageiro transportado. Ou fazemos nossa escolha por algo mais palatável que terá um retorno ($) positivo para a melhoria geral da mobilidade, ou teremos que amargar com o Rodízio burro (logo logo de duas placas, porque está esgotado) a realidade que só piora a cada dia de continuar parados horas e horas a fio escutando o radio do carro e respirando concentrações de poluentes dentro da cabine do automóvel, que são até 10 vezes maiores que as que respiram os pedestres nas calçadas.

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