Transporte 24 horas, o Metrô é necessário?

Embora seja quase “invisível” para uma considerável parte da população, existe uma grande quantidade de pessoas que trabalham ou circulam pela cidade durante as madrugadas. Infelizmente esta grande demanda é ignorada por parte dos órgãos públicos e neste aspecto São Paulo está bastante atrasado até em comparação com a vizinha cidade do Rio de Janeiro.

Esta carência paulistana é discutida há anos, e já surgiram projetos na Assembleia Legislativa de São Paulo tentando regulamentar o funcionamento da rede de Metrô de São Paulo 24 horas por dia (eu acho curioso como, às vezes, a rede da CPTM é simplesmente esquecida). E na época, em uma audiência pública foram levantadas algumas dificuldades que esta operação enfrentaria (leia sobre a audiência aqui).

A dificuldade de manutenção da rede de trilhos é um problema real, enfrentado também por Nova York, a única cidade do mundo a ter uma rede de Metrô que funciona 24 horas. Nesta reportagem foi mostrado como a cidade trata esse problema, aproveitando-se da quantidade de trilhos paralelos que as linhas nova-iorquinas tem.

Porém, mais grave que a limitação técnica é a limitação da extensão da rede de Metrô, ou seja, mesmo que o Metrô funcionasse normalmente à noite seria insuficiente para a cidade, gerando a necessidade da operação dos ônibus.

Essas e outras restrições ao funcionamento do Metrô durante as madrugadas foram tratadas também nesse artigo publicado pelo Grupo de Estudos Apē (A cidade e o transporte 24h).

Apesar de ser a única alternativa disponível durante as madrugadas, o serviço de ônibus em São Paulo ainda é muito escasso e confuso. Poucas linhas – apenas 98 – efetivamente funcionam, e até áreas servidas pelo Metrô, como a Avenida Paulista, não são cobertas pelo serviço.

Esta reportagem acompanhou o funcionamento de uma destas linhas, que percorre mais de 100km  à noite e demonstra a necessidade do bom funcionamento do sistema noturno que atende hoje mais de 40 mil usuários.

Com isso, por mais que o Metrô seja valorizado é preciso utilizar todo o potencial que o transporte por ônibus pode ter a noite. A ausência de trânsito simplifica e barateia a operação de ônibus, além disso, a baixa demanda talvez deixasse o sistema de Metrô subutilizado, inviabilizando as estratégias técnicas que seriam necessárias.

Então, a SPTrans, se aproveitando destas facilidades e necessidades, criou em fevereiro um piloto de uma operação controlada da rede de ônibus, com as linhas noturnas da região Noroeste de São Paulo (notícia aqui). Com estas linhas a SPTrans está estudando a infraestrutura, o investimento, o tempo e o pessoal necessário para se implementar uma real operação controlada da rede de ônibus,  e assim conseguir estudar a melhora da qualidade do serviço e iniciar o atendimento a noite.

Até o final do ano a prefeitura pretende ter uma rede bem mais organizada e frequente de ônibus durante o período noturno, e além de tornar possível analisar a demanda que esse serviço criará e atenderá, poderemos assistir também a mudança cultural que deve ocorrer sobre como a população vive, circula e utiliza a cidade à noite.

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